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Segurança da Informação

Chegamos em 2026: o que esperar de ameaças cibernéticas para este ano

Como a evolução dos ataques digitais deve impactar empresas e o que fazer para se antecipar às tendências dos cibercriminosos.

Chegamos em 2026: o que esperar de ameaças cibernéticas para este ano
Ramon de Souza

Ramon de Souza

(ISC)² Certified in Cybersecurity | Journalist | Author | Speaker

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Entramos em 2026 em um cenário no qual a superfície de ataque continua a crescer e as técnicas dos criminosos digitais evoluem mais rápido do que muitos processos de defesa.

Após um 2025 preocupante, marcado por vazamentos em larga escala, incidentes em provedores de serviços e o uso crescente de inteligência artificial em fraudes, a expectativa é de que este novo ano traga desafios ainda mais complexos.

Para empresas de todos os tamanhos, o ponto de partida é reconhecer que tecnologia, sozinha, não é suficiente. A antecipação de riscos, a conscientização contínua e a redução do risco humano tornam-se elementos centrais de qualquer estratégia de segurança.

IA ofensiva: engenharia social mais sofisticada e convincente

A inteligência artificial entrou definitivamente no arsenal ofensivo dos cibercriminosos. Em 2026, a tendência é que golpes baseados em engenharia social se tornem mais convincentes, personalizados e difíceis de detectar.

Modelos de linguagem avançados permitem a criação de mensagens que imitam perfeitamente o tom corporativo, o estilo de escrita de executivos e até variações regionais da linguagem. Isso reduz drasticamente os sinais clássicos de alerta que, por anos, ajudaram usuários a identificar tentativas de fraude.

Além do texto, o uso de deepfakes e clonagem de voz ganha escala. Golpes por telefone e por mensagens de áudio, nos quais o criminoso se passa por um gestor, familiar ou fornecedor, tendem a se tornar mais comuns. A facilidade de acesso a ferramentas de clonagem de voz, muitas vezes treinadas com poucos segundos de áudio público, permite que criminosos criem comunicações praticamente indistinguíveis das reais.

Em ambientes corporativos, isso abre espaço para fraudes financeiras, como solicitações urgentes de pagamento e manipulação emocional de colaboradores.

O fator mais preocupante é a combinação entre automação e personalização. A inteligência artificial permite que campanhas inteiras sejam ajustadas em tempo real com base nas respostas das vítimas, aumentando progressivamente sua eficácia. Em vez de ataques genéricos, veremos operações direcionadas, baseadas em dados vazados, redes sociais e informações públicas, tornando a engenharia social um desafio ainda maior para empresas e usuários.

Ataques à cadeia de suprimentos: o fornecedor como porta de entrada

Os ataques à cadeia de suprimentos (supply chain) continuam a ser uma das estratégias mais eficientes para criminosos em 2026. Em vez de atacar diretamente grandes organizações com defesas maduras, os invasores buscam fornecedores menores, parceiros tecnológicos e prestadores de serviços que possuem acessos privilegiados, mas menos recursos de segurança. Uma vez comprometido um elo da cadeia, o impacto se multiplica.

APIs mal protegidas, integrações sem monitoramento adequado, credenciais expostas e permissões excessivas seguem como vetores recorrentes. Muitos fornecedores operam serviços críticos “nos bastidores”, como autenticação, processamento de pagamentos, comunicação e integração de sistemas. Isso os torna alvos extremamente atrativos, pois um único acesso indevido pode afetar dezenas ou centenas de empresas simultaneamente.

Em 2026, a expectativa é de ataques mais silenciosos e persistentes, nos quais o criminoso permanece por longos períodos no ambiente do fornecedor, observando fluxos e coletando informações antes de executar a fraude ou o ataque principal.

Para as empresas contratantes, isso reforça a necessidade de ir além de avaliações pontuais e adotar uma governança contínua sobre terceiros, com monitoramento, auditorias e princípios rigorosos de mínimo privilégio.

Ataques contra a identidade digital: a conta é o novo perímetro

Cada vez mais, os criminosos se esforçam em comprometer identidades em vez de explorar vulnerabilidades técnicas tradicionais. Em 2026, a identidade do usuário se consolida como o principal alvo. Credenciais vazadas, reutilização de senhas e autenticação fraca alimentam ataques de sequestro de conta, movimentações financeiras indevidas e acessos não-autorizados a sistemas corporativos.

Com grandes volumes de dados pessoais disponíveis em mercados clandestinos, os ataques tornam-se mais precisos. Criminosos utilizam informações reais para construir abordagens críveis, reduzindo a desconfiança da vítima. Além disso, ferramentas automatizadas permitem testar milhares de combinações de credenciais em diversos serviços, explorando a prática comum de reutilização de senhas.

Outro ponto relevante é a falsificação indireta da identidade. Em vez de apenas roubar credenciais, criminosos criam personas digitais completas, com perfis falsos em redes sociais, histórico de interações e até registros visuais manipulados por IA. Essas identidades artificiais são usadas em golpes prolongados, envolvendo relacionamento, confiança gradual e, por fim, fraude financeira ou acesso indevido a informações.

Ransomware mais seletivo e ataques direcionados

Embora o ransomware não seja uma novidade, ele continua evoluindo. Em 2026, a tendência é de ataques mais direcionados e menos barulhentos. Em vez de campanhas massivas, grupos criminosos selecionam alvos com maior capacidade de pagamento e maior dependência operacional de sistemas digitais.

O objetivo deixa de ser apenas criptografar dados, passando também pela exfiltração e ameaça de vazamento de informações sensíveis. Esses ataques frequentemente exploram falhas de identidade, credenciais comprometidas e acessos remotos mal configurados.

Organizações que não testam regularmente seus planos de resposta a incidentes ou que não possuem backups isolados continuam vulneráveis a paralisações prolongadas e perdas financeiras significativas.

Ambientes em nuvem, virtualização e novas superfícies de ataque

A consolidação da nuvem e da virtualização também ampliam a superfície de ataque. Configurações incorretas, permissões excessivas e falta de visibilidade sobre ambientes híbridos criam oportunidades para invasores. Um erro em um ambiente compartilhado pode permitir acesso a múltiplos sistemas, ampliando o impacto de um único incidente.

Além disso, o crescimento do uso de ferramentas de inteligência artificial dentro das empresas — muitas vezes sem aprovação formal — gera um novo risco. A chamada “shadow AI” expõe dados sensíveis quando colaboradores utilizam plataformas externas para processar informações corporativas sem controle adequado.

Em 2026, esse comportamento tende a crescer, exigindo políticas claras, conscientização e mecanismos de monitoramento.

O fator humano como ponto central da defesa

Apesar da evolução tecnológica, o fator humano permanece como o elo mais explorado pelos criminosos. Em 2026, reduzir o risco humano não será apenas uma boa prática, mas uma necessidade estratégica. Treinamentos pontuais e genéricos já não são suficientes. As organizações precisam investir em programas de conscientização contínuos, baseados em simulações de ataques realistas, que reflitam o nível de sofisticação dos ataques atuais.

Mais do que ensinar a identificar um e-mail suspeito, é fundamental revisar processos internos. Pagamentos, alterações de dados sensíveis e liberações críticas devem exigir múltiplas validações e canais de confirmação independentes. A segurança precisa ser incorporada à cultura organizacional e rotina operacional, reduzindo a dependência de decisões individuais sob pressão.

Monitoramento comportamental e autenticação forte

Para enfrentar ameaças mais sutis, as empresas precisarão investir em soluções que analisem comportamento, não apenas eventos isolados. Identificar desvios em padrões de acesso, horários incomuns e movimentações atípicas permite detectar ataques mesmo quando as credenciais utilizadas são legítimas.

A autenticação forte, preferencialmente sem senha tradicional, também ganha protagonismo. Métodos como passkeys, autenticação multifator baseada em aplicativos e políticas adaptativas reduzem significativamente o sucesso de ataques de sequestro de conta. Em 2026, proteger a identidade será proteger todo o ambiente.

Preparação contínua para um ano desafiador

O cenário de ameaças em 2026 aponta para um ambiente mais sofisticado, automatizado e focado em exploração de confiança. As empresas que entrarem no ano com postura reativa enfrentarão maiores riscos de impacto financeiro, operacional e reputacional.

Por outro lado, aquelas que investirem em antecipação, governança de terceiros, fortalecimento da identidade e redução do risco humano estarão mais preparadas para lidar com incidentes inevitáveis.

Mais do que prever ataques específicos, o desafio de 2026 será criar resiliência. Segurança deixa de ser apenas tecnologia e passa a ser cultura, processo e prática contínua. Em um cenário em que os criminosos inovam rapidamente, a capacidade de adaptação será o maior diferencial para proteger dados, pessoas e negócios ao longo do ano.

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