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Engenharia Social

Novos golpes do Pix: as fraudes financeiras da vez

Conheça os novos golpes do Pix que estão enganando brasileiros em 2026 e aprenda como se proteger de fraudes financeiras cada vez mais sofisticadas.

Novos golpes do Pix: as fraudes financeiras da vez
Ramon de Souza

Ramon de Souza

(ISC)² Certified in Cybersecurity | Journalist | Author | Speaker

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O Pix se consolidou como uma das maiores revoluções financeiras no Brasil. Rápido, gratuito na maioria dos casos e disponível 24 horas por dia, ele caiu no gosto dos brasileiros e se tornou indispensável na rotina de pagamentos, transferências e até negociações informais. O que antes levava horas ou dias agora acontece em segundos, direto do celular.

Essa popularização, no entanto, também acendeu um alerta constante entre bancos, fintechs e especialistas em segurança digital. Quanto mais pessoas utilizam o Pix, maior se torna o interesse de criminosos em explorar esse sistema. E é exatamente isso que vem acontecendo.

Nos últimos meses, surgiram novos golpes do Pix cada vez mais sofisticados, que combinam tecnologia com engenharia social para enganar vítimas. Em vez de depender de falhas técnicas, os criminosos apostam no fator humano, usando pressa, medo e confiança como ferramentas principais. Entender como essas fraudes funcionam é o primeiro passo para não cair nelas.

Por que o Pix virou alvo dos golpistas?

O sucesso do Pix está diretamente ligado à sua velocidade e simplicidade. Mas essas mesmas características também criam um cenário ideal para fraudes.

Diferente de transferências tradicionais, que podem levar tempo para serem processadas, o Pix é instantâneo. Isso significa que, uma vez enviado, o dinheiro chega quase imediatamente ao destinatário. E, quando a vítima percebe que caiu em um golpe, muitas vezes, já é tarde demais.

Outro fator importante é o comportamento do usuário. Golpistas exploram momentos de distração, urgência ou pressão emocional para induzir decisões rápidas. Eles não precisam invadir sistemas bancários sofisticados. Basta convencer alguém a autorizar uma transação. É por isso que a maioria dos golpes recentes não começa com um vírus, mas com uma conversa.

Golpe do Pix errado: quando a boa fé vira prejuízo

Um dos golpes mais comuns continua sendo o chamado “Pix errado”, mas ele ganhou novas variações mais elaboradas. A vítima recebe um valor inesperado na conta. Pouco tempo depois, alguém entra em contato dizendo que fez a transferência por engano e pede a devolução. A situação parece simples e até ética.

O problema está na forma como essa devolução é feita.

O golpista pede que o dinheiro seja enviado para uma conta diferente da original. Em alguns casos, ele ainda solicita a devolução pelo sistema do banco, o que pode fazer com que a vítima devolva o valor duas vezes. A maneira segura de agir é sempre devolver o dinheiro diretamente pela opção de estorno dentro do próprio aplicativo do banco, nunca seguindo instruções externas.

Falsa central de atendimento: o golpe que invade seu celular

Outro golpe que vem crescendo rapidamente é o da falsa central bancária. Tudo começa quando a vítima recebe uma ligação ou mensagem informando sobre uma suposta atividade suspeita na conta. O criminoso se apresenta como funcionário do banco e cria um senso de urgência para “resolver o problema”.

Durante o atendimento falso, ele pede que a pessoa instale um aplicativo ou siga instruções que permitam acesso remoto ao celular. A partir daí, o golpista passa a controlar o aparelho e pode acessar o aplicativo do banco.

O resultado é devastador. Em poucos minutos, o criminoso consegue realizar transferências e esvaziar a conta. Esse tipo de fraude funciona porque simula um atendimento legítimo. A vítima acredita que está sendo ajudada, quando na verdade está entregando o controle do próprio dispositivo.

QR Code falso: o perigo invisível nos pagamentos

Criminosos criam códigos falsos que direcionam o pagamento para contas fraudulentas. Esses códigos podem aparecer em boletos adulterados, e-mails falsos, sites clonados ou até em estabelecimentos físicos. Como o processo de pagamento via QR Code é rápido, muitas pessoas não conferem os dados do destinatário antes de confirmar a transação.

O risco aumenta quando o golpe vem acompanhado de uma narrativa convincente, como descontos exclusivos ou cobranças urgentes. Por isso, sempre que possível, o ideal é gerar o QR Code diretamente no site ou aplicativo oficial da empresa e nunca confiar em códigos recebidos por terceiros.

Golpe da chave Pix com CPF e o Imposto de Renda

Um dos golpes mais recentes envolve o uso da chave Pix vinculada ao CPF, especialmente em períodos próximos à declaração do Imposto de Renda.

Criminosos utilizam dados pessoais para tentar redirecionar restituições para contas fraudulentas ou enganar vítimas com mensagens falsas em nome da Receita Federal. Essas abordagens costumam informar sobre valores a receber, pendências ou necessidade de regularização, sempre incentivando ações rápidas.

O ponto mais importante aqui é lembrar que órgãos oficiais não solicitam pagamentos via Pix por mensagens ou ligações. Qualquer comunicação desse tipo deve ser vista com extrema desconfiança.

O que fazer se você cair em um golpe do Pix

Caso você seja vítima de um golpe, agir rapidamente é fundamental.

O primeiro passo é entrar em contato com o banco imediatamente e informar o ocorrido. Muitas instituições já possuem canais específicos para tratar fraudes envolvendo Pix. Também é importante registrar um boletim de ocorrência e guardar todas as provas possíveis, como comprovantes, mensagens e contatos utilizados pelo golpista.

Existe ainda o Mecanismo Especial de Devolução (MED), que pode ser acionado em casos de fraude. Ele permite que o banco tente recuperar o valor transferido, embora não haja garantia de sucesso. Quanto mais rápido o processo for iniciado, maiores são as chances de recuperação.

Como se proteger dos novos golpes do Pix

Sempre confira o nome do destinatário antes de confirmar um pagamento. Desconfie de qualquer situação que envolva urgência ou pressão para agir rapidamente. Golpistas dependem exatamente dessa pressa para ter sucesso. Nunca compartilhe senhas, códigos de verificação ou dados pessoais por telefone ou mensagem. Bancos não solicitam esse tipo de informação dessa forma.

Evite clicar em links desconhecidos e não instale aplicativos fora das lojas oficiais. Se receber uma cobrança, prefira acessar o site da empresa digitando o endereço manualmente. Também vale ativar notificações no aplicativo do banco e utilizar autenticação em duas etapas sempre que possível.

A informação é a melhor arma

O Pix transformou a forma como lidamos com dinheiro no Brasil e trouxe uma praticidade difícil de imaginar há poucos anos. Mas, junto com essa evolução, vieram também novos riscos.

Os golpes estão cada vez mais sofisticados e exploram principalmente o comportamento humano. Eles não dependem apenas de tecnologia avançada, mas da capacidade de enganar, pressionar e convencer. A melhor forma de se proteger é a informação. Conhecer os golpes mais recentes, entender como eles funcionam e adotar práticas seguras no dia a dia faz toda a diferença.

No fim das contas, o Pix continua sendo seguro. O desafio está em não deixar que a pressa ou a distração transformem uma ferramenta útil em uma dor de cabeça.


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