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Engenharia Social

Golpes de IRPF 2026: autoridades alertam para fraudes

A temporada de Declaração de Imposto de Renda também é marcada por campanhas maliciosas de cibercriminosos. Confira como se proteger.

Golpes de IRPF 2026: autoridades alertam para fraudes
Ramon de Souza

Ramon de Souza

(ISC)² Certified in Cybersecurity | Journalist | Author | Speaker

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Todo ano, quando chegam datas sazonais de grande atenção pública, os criminosos cibernéticos ajustam o roteiro. Eles sabem que períodos como férias, festas, campanhas de benefícios, eleições e, especialmente, a época da Declaração do Imposto de Renda são momentos em que muita gente está mais vulnerável a mensagens urgentes, páginas falsas e promessas de solução rápida.

No caso do IRPF, essa janela é ainda mais valiosa para golpistas porque concentra ansiedade, pressa para entregar documentos, expectativa de restituição e medo de cair na malha fina. As autoridades brasileiras vêm reforçando esse alerta porque, nesta época, a fraude costuma se esconder atrás de nomes conhecidos, domínios parecidos com os oficiais e mensagens com aparência institucional.

O padrão é repetido porque funciona: o atacante cria um senso de urgência, oferece uma “solução” e tenta levar a vítima para fora dos canais legítimos. Em 2025 e 2026, a Receita Federal passou a publicar avisos específicos sobre golpes que usam o nome, CPF, e-mails falsificados, boletos e até falsas cobranças relacionadas ao IR e a supostos tributos sobre o Pix.

Em paralelo, a Polícia Federal e o Centro de Tratamento de Incidentes de Segurança de Redes de Computadores (CTIR) mostraram que a exploração da credibilidade de serviços públicos e da plataforma gov.br continua sendo uma estratégia ativa no país.

O que está por trás dos golpes de IRPF em 2026

Os golpes ligados ao IRPF 2026 não dependem apenas de e-mails mal escritos ou páginas improvisadas. Pelo contrário, muitas campanhas atuais são visualmente sofisticadas e usam dados verdadeiros da vítima para aumentar a sensação de legitimidade. A Receita Federal alertou, em dezembro de 2025, para páginas falsas que usam nome e CPF reais do contribuinte para simular cobranças e imitar o visual do gov.br.

O órgão também reforçou que urgência é sinal de golpe e que não pede ação imediata por mensagem, aplicativo ou link externo. Isso é importante porque a fraude não tenta convencer pelo conteúdo, mas pelo contexto: “há uma pendência”, “o prazo acaba em minutos”, “pague agora para evitar bloqueio”.

Essa lógica aparece de várias formas. Em janeiro de 2025, a Receita Federal desmentiu a falsa cobrança de taxa sobre Pix acima de R$ 5 mil, uma mentira que circulou com uso indevido do nome e dos símbolos oficiais do órgão. Em outubro de 2025, a própria Receita relatou golpes em que criminosos se passavam por funcionários de instituições públicas e orientavam a vítima a fazer Pix ou ler QR Code sob o pretexto de “procedimento de segurança” ou “recolhimento oficial”.

Em abril de 2025, o órgão também alertou para e-mails fraudulentos com spoofing, técnica em que o endereço do remetente é manipulado para parecer legítimo. São golpes diferentes na forma, mas idênticos no objetivo: roubo de credenciais, de dinheiro ou dos dois ao mesmo tempo.

O golpe da “pendência fiscal” e o falso e-mail da Receita

Entre as fraudes mais persistentes está o golpe do e-mail falso sobre pendência fiscal. A Receita Federal explicou, em 2025, que criminosos enviam mensagens eletrônicas com aparência oficial para induzir a vítima a clicar em links, baixar arquivos ou fornecer dados pessoais.

A técnica usada é o spoofing, que mascara o remetente e cria a impressão de que o conteúdo partiu de uma autoridade confiável. Esse tipo de ataque é especialmente eficaz no período do IR porque muita gente realmente está esperando comunicação do Fisco, o que reduz a desconfiança inicial.

O problema se agrava quando a mensagem traz um convite para “regularizar” a situação em uma página externa. Em abril de 2024, a Receita já alertava para uma nova versão do golpe do “erro na declaração”, justamente explorando o receio de inconsistências na entrega do IR.

A receita do criminoso é velha e conhecida: criar pânico suficiente para que a vítima clique sem verificar o endereço, o domínio e o canal de acesso. Em 2026, a advertência continua a mesma, porque a embalagem mudou, mas o mecanismo não.

A falsa cobrança de tributo sobre Pix

Outro golpe que voltou com força foi a falsa cobrança de taxa sobre Pix. Em janeiro de 2025, a Receita Federal foi taxativa ao afirmar que não existe tributação sobre Pix e que nunca existirá nos moldes espalhados pelas mensagens fraudulentas. Mesmo assim, golpistas continuaram usando o nome do órgão, cores institucionais e ameaças de bloqueio de CPF para empurrar pagamentos imediatos.

Essa fraude costuma aparecer em redes sociais, grupos de mensagem e páginas que imitam sites oficiais, sempre com linguagem alarmista e tom de “última chance”. A razão de esse golpe funcionar é simples: ele mistura temas sensíveis, como dinheiro, CPF, Receita Federal e punição. Quem recebe a mensagem pela primeira vez pode imaginar que se trata de uma nova regra tributária, de uma atualização do governo ou de uma pendência real.

Mas o alerta oficial existe justamente para quebrar essa dúvida: se a mensagem fala em taxa sobre Pix, bloqueio de CPF ou pagamento urgente fora do site oficial, a chance de fraude é altíssima. A Constituição Federal não autoriza esse tipo de tributação, e a Receita deixou isso registrado de forma explícita em seu comunicado.

A engenharia social ficou mais sofisticada

Em 2026, a sofisticação dos golpes também aparece na camada técnica e visual. A PF mostrou, em maio de 2025, uma investigação sobre fraudes em contas vinculadas à plataforma gov.br, em que os criminosos usavam técnicas avançadas de alteração facial para burlar autenticação biométrica.

O caso ajuda a ilustrar um ponto importante: o foco do ataque não é apenas a conta bancária ou o e-mail, mas toda a cadeia de identidade digital do usuário. Quando o golpista ganha o controle dessa identidade, ele pode abrir portas para outros serviços, inclusive os ligados ao IRPF.

Além disso, a PF desarticulou em março de 2026 um grupo especializado em golpes bancários por mensagens de celular, com envio sistemático de SMS falsos para capturar dados de clientes e induzir acesso ao aplicativo. Embora o caso não fosse exclusivo do Imposto de Renda, ele mostra a engrenagem comum por trás de muitas fraudes sazonais: a vítima recebe uma mensagem convincente, clica em algo que parece oficial e, em seguida, fornece credenciais ou autoriza uma operação que não pretendia fazer.

O alerta do CTIR: páginas falsas do gov.br e o golpe ClickFix

O alerta mais técnico e, ao mesmo tempo, mais útil para entender a nova fase das fraudes veio do CTIR Gov na Recomendação 03/2026. O documento descreve a disseminação da técnica de engenharia social chamada ClickFix, em que páginas falsas ou comprometidas simulam erros, CAPTCHAs, atualizações ou mensagens de validação para induzir o usuário a abrir a caixa “Executar” do Windows e colar um comando pronto.

Em vez de explorar uma falha clássica de software, o golpe convence a própria vítima a executar o comando malicioso. O CTIR explica que esse comando pode acionar PowerShell ou MSHTA para baixar scripts silenciosos, contornando barreiras de segurança tradicionais.

A importância desse alerta, no contexto do IRPF 2026, é enorme. Muitas campanhas de fraude se disfarçam de páginas de serviços públicos, e a vítima acredita estar acessando um portal legítimo do governo ou resolvendo uma etapa de confirmação.

O CTIR orienta, para ambientes institucionais, bloqueio do atalho Windows + R onde possível, uso de controles de aplicação, restrição a binários nativos do Windows e campanhas educativas para alertar usuários sobre páginas que pedem colagem de comandos para “provar que são humanos” ou “corrigir erros de visualização”. A mensagem central é clara: serviço legítimo não pede que o cidadão execute comandos no sistema operacional para validar acesso.

Como as páginas falsas enganam o contribuinte

As páginas falsas ligadas ao IRPF 2026 têm um desenho pensado para reduzir a desconfiança. Algumas imitam a identidade visual do gov.br, outras reproduzem cores, brasões e linguagem institucional, e outras ainda usam dados reais do contribuinte para parecerem personalizadas.

A Receita Federal alertou, em dezembro de 2025, que criminosos criam páginas falsas de cobrança com nome e CPF verdadeiros, exibindo valores, prazos curtos e ameaças de bloqueio. Em abril de 2025, o órgão também apontou a técnica de spoofing em mensagens eletrônicas, o que reforça que a fraude pode começar no e-mail e terminar em uma página clonada.

Esse tipo de golpe costuma ser acompanhado por outro detalhe muito eficiente: a sensação de legitimidade mecânica. A vítima vê um layout limpo, textos formais e botões de “continuar” ou “regularizar”. O problema não está apenas na aparência, mas na rota. O endereço pode ser estranho, o domínio pode não ser oficial e, muitas vezes, a página leva a um pagamento indevido ou à captura de credenciais de acesso.

Em 2026, o CTIR também registrou uma campanha contra alvos com domínios .gov.br, o que reforça que a confiança no endereço institucional vem sendo explorada como ativo pelos atacantes.

Como se proteger durante a declaração

A defesa mais eficaz começa fora da tecnologia. Antes de clicar, vale respirar e verificar. A Receita Federal lembra que não envia mensagens com prazo de minutos, não pede pagamentos por aplicativos e não exige ação imediata. Qualquer comunicação que traga ameaça, desconto, bloqueio de CPF ou urgência fora do canal oficial deve ser tratada como suspeita.

O mesmo vale para links enviados por WhatsApp, SMS, redes sociais ou e-mails inesperados. Sempre que houver dúvida, o caminho seguro é abrir manualmente o site oficial e conferir a informação por lá. Também é essencial desconfiar de arquivos anexados, formulários pedindo credenciais, páginas que pedem instalação de aplicativo e mensagens que tentam forçar uma ação rápida.

Em 2023, a própria Receita já alertava para o risco de links maliciosos e anexos na época do Imposto de Renda, e esse conselho continua válido porque os criminosos seguem apostando nos mesmos gatilhos humanos: medo de multa, medo de perder a restituição e medo de “ficar em atraso” com o Fisco. Quando o assunto é IRPF, a pressa nunca é amiga da segurança.

O papel do treinamento e da consciência do usuário final

No fim, a melhor tecnologia antifraude ainda depende de uma camada que não pode ser comprada pronta: a conscientização do usuário final. A maioria desses ataques só prospera porque alguém clica, responde, instala, copia, cola ou autoriza sem confirmar.

É por isso que treinamento recorrente, comunicação clara e cultura de prevenção fazem tanta diferença. O CTIR, ao recomendar campanhas educativas sobre ClickFix, está dizendo algo que vale para o IRPF e para qualquer outro período crítico: usuários treinados reconhecem sinais de manipulação antes de virar incidente.

Isso significa ensinar as pessoas a desconfiar de urgência artificial, reconhecer páginas clonadas, validar domínios oficiais, não expor credenciais e jamais executar comandos sugeridos por sites ou mensagens. Significa também normalizar a checagem, não tratá-la como exagero. Em época de Imposto de Renda, a proteção mais importante não é apenas antivírus, MFA ou bloqueio de URL.

É a capacidade de parar por alguns segundos, comparar a informação e seguir pelo canal legítimo. Em 2026, essa pausa pode ser a diferença entre entregar a declaração e entregar o acesso à própria identidade digital.


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